O inverno terminou. Tudo o que foi vivido para dentro, por tanto tempo, vai brotando suave, quente, alegre e perfumado.
O inverno durou quase um ano. Houve sim alguns períodos de calor, de sol, mas não eram verdadeiros, só uma falsa promessa de ser o que só um curto verão quase foi.
E agora essa primavera confusa dá um esperança e também um medo de acordar e sentir frio novamente. De não ver nunca mais a imagem refletida que não se repetiu.
Tem dia que acaba com uma promessa muda de alguma coisa maior, de um sol mais forte, mais constante. Só que a voz não sai e o sol se põe, igual aos outros dias. E eles vêm, e se repetem e seguem, sempre iguais.
Sol na memória, cheiro na memória, palavras na memória, imagem na memória. Na memória...

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