quinta-feira, 22 de setembro de 2011

depois de tudo, eu odeio o dia seguinte quando nada mais acontece, sem chamada ou mensagem de "foi bom estar contigo de novo", o telefone mudo, a boca seca e o nó na garganta. E nesse momento silencioso da noite eu te odeio por ter me procurado de novo e me odeio mais ainda porque sempre acabo cedendo ao teu chamado que me dá uma felicidade tão grande e tão curta e depois tanto tempo pra me arrepender...

quarta-feira, 20 de julho de 2011


"Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida, e não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só do que ficar à mercê de visitas adiadas e encontros transferidos."
Caio F.

domingo, 5 de junho de 2011

De Penélope à Diana


Definitivamente o rótulo de mulherzinha não me cabe. Não que eu não tenha tentado, acho que me esforcei bastante até, mas não tem jeito.

Eu não sou a pessoa de pantufa cor-de-rosa assistindo Sex and the City e comendo brigadeiro de colher e pra mim "Comer, rezar, amar" jamais será filosofia de vida! Eu estou mais pra Dexter e caberbet sauvignon e acredito que "A garota da capa vermelha" ficaria mesmo com o lobisomem, afinal não nascemos pra sermos felizes para sempre e acabamos admirando mesmo os psicopatas.

É por isso que terapia não funciona comigo: eu sei quais são os meus problemas, em que ponto as coisas não funcionam e a diferença entre o que tem cura e o que não deve ser cutucado na memória. Eu não quero chorar diante de um desconhecido no sofá de um consultório, tomar antidepressivos e fingir que a vida é bela.

(...)Quanta negatividade, heim?
Não, não é isso, mas se a gente dá uma limpada na lente acaba conseguindo aprender as piores lições em casa mesmo: Os homens que deveríamos amar ou admirar são os que nos ensinam que os pais se divorciam de suas filhas, que sexo extraconjugal não é traição(pros homens!!) e que semvergonhice só é vergonhosa quando se torna pública. A tua mãe pode ser uma chata sem noção, mas é ela que vai abrir mão de qualquer coisa pessoal pra segurar a tua barra, principalmente quando teu pai for curtir a vida com a namorada nova e esquecer de telefonar por um mês ou de depositar a pensão. É assim que as coisas funcionam, daí a gente cresce e acha que vai escrever uma história nova. Tem novos personagens e parece que agora está tudo certo, até chegar o dia em que muda o teu papel, mas tu já sabes as falas dos outros personagens. Então levanta a cabeça, respira fundo e pensa que tá tudo ferrado mesmo, mas a gente sai dessa!

Com o tempo a gente acaba deixando de chorar no banheiro, no consultório, no ombro dos amigos e aprende a gritar bem alto com quem tenta nos humilhar. Descobre que amor verdadeiro é amor de mãe e filha e amor próprio, o resto é novela mexicana ou filme com a Julia Roberts; que fim de semana inesquecível é ao lado dos poucos amigos de verdade e que usar ferramentas não é coisa só pra homem.

Ferramentas? É, a gente deixa de ser mulherzinha e aprende a furar parede e trocar o fuzível do carro e mesmo assim continua pintando as unhas e hidratando o cabelo, compra bolsa, perfume e um jogo de chaves de fenda; leva os filhos pro colégio, o gato no veterinário e sai com os amigos pra tomar cerveja. Simples assim!

No fim do mês tu faz as contas e percebe que o teu salário até que dá pra tudo, o que não teve solução esse mês fica pro próximo e o saldo é positivo, pelo menos nas pequenas vitórias de todas as manhãs.

Não deu pra ser Bela Adormecida nem Penélope Charmosa, ninguém veio me salvar no final, mas, sem laço mágico ou braceletes poderosos, me acho mais maravilha que a Diana Prince e quer saber? Nem preciso fingir, a vida é bela mesmo assim!

sábado, 4 de junho de 2011

Ligue o "foda-se" e seja feliz!

De uns tempos pra cá venho exercitando esse preceito básico da felicidade e tá dando certo como nunca.
Verdade que nunca tive muita paciência pra blábláblá ou meias palavras, mas depois que as coisas não ditas na hora certa vão se acumulando em forma de asia e hipertensão, o foda-se se transforma na melhor profilaxia do universo. É como os tais tratamentos viciantes: seu uso se torna inevitável!
As pessoas ficam meio sem entender como funciona ou como a gente pode "ter coragem" de falar qualquer coisa "na lata". Claro que, como qualquer tratamento, esse também tem seus efeitos colaterais. A inevitável fama de mal educada, grossa ou simplesmente maluca passa a ser tua companheira inseparável, principalmente entre aqueles tipos mais dissimulados, que pensam exatamente desse jeito, mas jamais terão o desaforo de assumir.
Por outro lado, como expliquei pra uma amiga - que se sentia meio desconfortável depois de dizer algumas verdades etílicas diante de colegas de sala de aula- a beleza é que a sinceridade mais ácida é um excelente repelente de chatos! Depois de dizer umas verdades escabrozas bem na cara do sujeito, ou ele vaza de vez ou pensa duas vezes antes de te pentelhar, ou seja, acabou poupando um baita trabalho inventando desculpas pra te livrar de carregar um monte de malas até o fim do curso.
Um exemplo bem ilustrativo aconteceu outra noite em um bar onde fomos - eu e umas amigas - assistir um show de uma banda muito boa. O tal bar já é conhecido pela fama de seus frequentadores desesperados por qualquer cara (ou bunda) nova - ou como disse uma amiga: esse bar pra mim é sinônimo de gente feia e mão na bunda - mas enfim, fizemos o sacrifício pra assistir o tal show!
Claro que foi só chegar e já estava aquele indivíduo mal apessoado, tão grudento que parecia ter uns oito braços com mãos enormes e uma baba caindo do canto da boca, atarrachado ao lado de uma das meninas, cujo rosto já corava entre o rosa e o lilás de tanta vergonha. As outras não quiseram fazer grosseria com o cara, acharam que ficava feio, o garçom nos trocou de mesa, contou histórias e tal. E o cidadão por acaso saiu de perto? Óbvio que não! Claro que eu, do alto da minha grossura, depois de me certificar que não havia uma única desesperada disposta a carregar aquela mala durante a noite toda, cheguei perto do sujeito e disse em bom português brasileiro: nós vamos trocar de mesa e vamos só as cinco mulheres, ok? Claro que ele saiu xingando a nós e mais umas três gerações de nossas famílias, mas foi o alívio nosso, do garçom e de todas as outras mulheres sozinhas e indisponíveis pra assédio, pois o cavalheiro fez a gentileza de deixar não só a nossa mesa, mas o bar também!
É desse jeito que a coisa funciona e funciona muito bem. O "sim" significa sim, o "não" signica não, não existe meio termo ou "eu quis dizer". Não gostou? Foda-se!
E as coisas se resolvem sempre, se não resolver, também foda-se, afinal sofrer pelo que não tem solução não vai trazer solução mágica. Daí que a preocupação merece também um mega foda-se, afinal é uma PRÉ-ocupação, porque sofrer antes não resolve. SE der certo beleza, SE der errado, foda-se!
E sou mesmo a maluca da rodada: "ela me disse na cara que sou nojento de carregar uma caixa gigante de suco na mochila e ficar oferecendo o troço babado pra quem eu mal conheço"... "ela disse na frente de toda a família que eu ter uma namorada e comer a ex é coisa de cafajeste"... "ela me chamou de hipócrita porque penso que putaria só é errado se alguém fica sabendo"...
É, essa sou eu e quer saber? Se não gostar, foda-se!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

"Perigoso é aquele que não tem nada a perder"
Goethe

E tem gente que não entende isso: quando já se perdeu tudo, aprende-se a mágica do arriscar sem medo, afinal, o que mais pode dar errado? Não há mais nada em risco.
Quando o desapego deixa de ser opcional, quando nossos castelos já desabaram e seus destroços estão tão longe que não existe maneira de reconstrução, o que mais resta senão a persistência de continuar simplesmente, sem fé alguma?
E esses vazios vão se juntando um a um, construindo a fórmula do perigo: sem sonhos, sem apego, sem riscos, sem fé...
(...)
Uma personalidade feita das sobras do nada a perder deveria ser respeitada como todos os mitos de imortalidde, pois é isso que é: uma sobrevida sem medo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Foi mais uma louca noite como todas, aliás, vinham sendo. Decidida a não dar chances ao acaso, que volta e meia me dava uma rasteira, mudei de rumo e de companhia.

Tem hora que não adianta fugir, mesmo o impossível se joga no teu colo sem pedir licença. Ok, você venceu, então o que vai ser?
Nada, como sempre.
Foi então que percebi o quanto aquele nada vinha sendo realmente nada.
Foi então que percebi que uma sensação física só pode bastar enquanto dure, seja a embriaguês ou o gozo, acaba quando acaba.
Foi então que a música parou e as luzes acenderam e eu quis não estar mais lá.
Percebi o patético daquele rodopiar embriagado e sem sentido, daquele nada triste, sem nada antes ou depois.

Procurei um cheiro pra ter certeza de que não era realmente ali, naquele instante.
E não era.

No frio da rua até as certezas congelam, se fixam onde devem permanecer e dá uma vontade de ligar pra dizer que é isso mesmo.

Deixa pra lá, vai continuar sendo nada!

domingo, 1 de maio de 2011


"Sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus…como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme…só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!"*


E eu sei que o alimento dessa vontade é a incerteza. Sem a rotina que destrói qualquer desejo, sem saber se vai demorar mais umas semana ou mais uns anos.
(...)
Ontem dormi o dia inteiro, quis me inpregnar da tua presença, de tudo de ti que ficou no travesseiro, nos lençóis...
Hoje o dia vai ser bom: cinza, solitário e silencioso. Dia de aproveitar as coisas de dentro sem ser interronpido por ninguém.
É também por isso, por essa necessidade de ficar só por tanto tempo, de não querer pessoas por perto, de não querer planejar nada, que esse teu existir eventual na minha vida me faz tão bem.
E daí que todas as vezes que te sinto, te amo por uns cinco minutos, ou meia hora, ou pelo tempo entre um despertar e um cochilo, quando paro pra te ver dormir, toco de leve a tua pele e me estreito junto ao teu corpo. Depois vais embora, ou eu vou, e sinto um alívio tão grande por ter minha vida igoísta a salvo do sufocamento de ser amado por alguém.
Então por essa tua existência perfeita, me dei ao luxo de pensar em ti por um tempo mais longo que o normal, tempo o suficiente para tomar consciência de todas as coisas das quais não me fazes abrir mão, e escrevi um pouco, e isso basta.
Só isso.


*Caio Fernando Abreu

sábado, 30 de abril de 2011

Sereníssima



*Legião Urbana


Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.

Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.

Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.

Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar.


Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.