De uns tempos pra cá venho exercitando esse preceito básico da felicidade e tá dando certo como nunca.
Verdade que nunca tive muita paciência pra blábláblá ou meias palavras, mas depois que as coisas não ditas na hora certa vão se acumulando em forma de asia e hipertensão, o foda-se se transforma na melhor profilaxia do universo. É como os tais tratamentos viciantes: seu uso se torna inevitável!
As pessoas ficam meio sem entender como funciona ou como a gente pode "ter coragem" de falar qualquer coisa "na lata". Claro que, como qualquer tratamento, esse também tem seus efeitos colaterais. A inevitável fama de mal educada, grossa ou simplesmente maluca passa a ser tua companheira inseparável, principalmente entre aqueles tipos mais dissimulados, que pensam exatamente desse jeito, mas jamais terão o desaforo de assumir.
Por outro lado, como expliquei pra uma amiga - que se sentia meio desconfortável depois de dizer algumas verdades etílicas diante de colegas de sala de aula- a beleza é que a sinceridade mais ácida é um excelente repelente de chatos! Depois de dizer umas verdades escabrozas bem na cara do sujeito, ou ele vaza de vez ou pensa duas vezes antes de te pentelhar, ou seja, acabou poupando um baita trabalho inventando desculpas pra te livrar de carregar um monte de malas até o fim do curso.
Um exemplo bem ilustrativo aconteceu outra noite em um bar onde fomos - eu e umas amigas - assistir um show de uma banda muito boa. O tal bar já é conhecido pela fama de seus frequentadores desesperados por qualquer cara (ou bunda) nova - ou como disse uma amiga: esse bar pra mim é sinônimo de gente feia e mão na bunda - mas enfim, fizemos o sacrifício pra assistir o tal show!
Claro que foi só chegar e já estava aquele indivíduo mal apessoado, tão grudento que parecia ter uns oito braços com mãos enormes e uma baba caindo do canto da boca, atarrachado ao lado de uma das meninas, cujo rosto já corava entre o rosa e o lilás de tanta vergonha. As outras não quiseram fazer grosseria com o cara, acharam que ficava feio, o garçom nos trocou de mesa, contou histórias e tal. E o cidadão por acaso saiu de perto? Óbvio que não! Claro que eu, do alto da minha grossura, depois de me certificar que não havia uma única desesperada disposta a carregar aquela mala durante a noite toda, cheguei perto do sujeito e disse em bom português brasileiro: nós vamos trocar de mesa e vamos só as cinco mulheres, ok? Claro que ele saiu xingando a nós e mais umas três gerações de nossas famílias, mas foi o alívio nosso, do garçom e de todas as outras mulheres sozinhas e indisponíveis pra assédio, pois o cavalheiro fez a gentileza de deixar não só a nossa mesa, mas o bar também!
É desse jeito que a coisa funciona e funciona muito bem. O "sim" significa sim, o "não" signica não, não existe meio termo ou "eu quis dizer". Não gostou? Foda-se!
E as coisas se resolvem sempre, se não resolver, também foda-se, afinal sofrer pelo que não tem solução não vai trazer solução mágica. Daí que a preocupação merece também um mega foda-se, afinal é uma PRÉ-ocupação, porque sofrer antes não resolve. SE der certo beleza, SE der errado, foda-se!
E sou mesmo a maluca da rodada: "ela me disse na cara que sou nojento de carregar uma caixa gigante de suco na mochila e ficar oferecendo o troço babado pra quem eu mal conheço"... "ela disse na frente de toda a família que eu ter uma namorada e comer a ex é coisa de cafajeste"... "ela me chamou de hipócrita porque penso que putaria só é errado se alguém fica sabendo"...
É, essa sou eu e quer saber? Se não gostar, foda-se!